A filiação do senador Sérgio Moro ao Partido Liberal desencadeou uma crise sem precedentes dentro da legenda no Paraná. Prefeitos da sigla articulam uma saída em massa, em protesto contra a possível candidatura do ex-juiz ao governo do estado.
De acordo com informações de bastidores, ao menos 40 dos 52 prefeitos do PL cerca de 80% da base municipal devem oficializar a desfiliação nesta quinta-feira (26), durante uma coletiva de imprensa prevista para acontecer em Curitiba.
O movimento expõe um racha profundo dentro do partido e tem como principal motivação a rejeição ao nome de Moro. Lideranças municipais afirmam que o ex-juiz tem postura “individualista” e dificuldade de diálogo, características consideradas incompatíveis com a articulação política necessária para governar.
Um dos prefeitos ouvidos classificou o cenário como preocupante e afirmou que o estilo de Moro poderia comprometer a estabilidade política do estado. Segundo esse grupo, torna-se inviável apoiar um candidato que, além de não dialogar com aliados, já fez críticas públicas ao próprio partido e à família Bolsonaro, principal liderança do PL.
Nos bastidores, a avaliação é de que a crise pode provocar um efeito dominó, enfraquecendo significativamente a estrutura do partido no estado e alterando o cenário eleitoral para 2026.
A debandada também sinaliza uma reconfiguração política no Paraná, com prefeitos buscando novas siglas e possíveis alianças. O grupo defende que a construção de consensos e o diálogo são essenciais para garantir governabilidade — algo que, segundo eles, não seria uma característica de Moro.
O episódio marca mais um capítulo de tensão na direita paranaense e pode redesenhar o equilíbrio de forças no estado nos próximos meses.

