Após meses de expectativa, a CPI do Crime Organizado no Senado terminou de forma frustrante: sem aprovação de um relatório final. O texto apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) foi rejeitado nesta terça-feira (14), por seis votos a quatro, encerrando oficialmente os trabalhos da comissão sem um desfecho formal.
O relatório causou forte polêmica ao propor o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade. A proposta dividiu o colegiado e acabou sendo o principal motivo da rejeição.
Parlamentares que votaram contra o texto alegaram falta de provas concretas, especialmente quanto à intenção (dolo) dos citados. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), destacou a gravidade de um indiciamento sem base sólida.
Outros senadores afirmaram que o relatório se desviou do foco principal da comissão, que era investigar organizações criminosas. Para eles, faltaram nomes ligados diretamente ao crime organizado e sobrou espaço para embates institucionais.
Ao longo dos trabalhos, o Banco Master ganhou protagonismo nas investigações, levantando questionamentos sobre operações financeiras e possíveis irregularidades. Ainda assim, houve críticas de que a CPI não avançou o suficiente na identificação de lideranças criminosas no país.
Também foram mencionados nomes que, segundo alguns senadores, deveriam ter sido incluídos entre os investigados, mas ficaram de fora do relatório.
O clima esquentou na reta final. Senadores da oposição denunciaram mudanças na composição da comissão no dia da votação, classificando o movimento como tentativa de barrar o relatório. Houve ainda críticas a decisões do STF que, segundo integrantes da CPI, teriam limitado investigações, como a anulação de quebras de sigilo.
Instalada em novembro de 2025, a CPI realizou 18 reuniões e ouviu 19 pessoas. Foram mais de 300 requerimentos apresentados, com dezenas de convocações e pedidos de informação.
Apesar disso, o desfecho sem relatório aprovado deixa a sensação de missão incompleta e levanta questionamentos sobre a efetividade de CPIs em meio a disputas políticas.
No fim, a comissão que prometia enfrentar o crime organizado terminou marcada por divisões internas e sem um resultado concreto.

