Enquanto parte da comunidade acompanhava o fenômeno El Niño com cautela, poucos profissionais tiveram a coragem de fazer alertas contundentes sobre o potencial destrutivo que ele poderia trazer para a Região Sul do Brasil. Entre eles, o meteorologista catarinense Piter Scheuer, que ainda meses antes da sequência de eventos extremos chamava a atenção para o risco de temporais severos, vendavais, enchentes e até tornados.
Os acontecimentos desta semana reforçam a preocupação. Após a passagem de um ciclone, um novo tornado foi registrado entre Pedro Osório e a região de Pelotas, no Rio Grande do Sul. O fenômeno provocou queda de árvores, interrupção no fornecimento de energia elétrica e danos em edificações, segundo informações das autoridades locais.
Piter Scheuer ganhou destaque justamente por insistir que um El Niño intenso não significaria apenas aumento das chuvas, mas também uma atmosfera mais favorável à formação de eventos meteorológicos extremos. Na época, muitos consideraram os alertas alarmistas. Hoje, a sucessão de ciclones, tempestades severas e tornados coloca novamente em evidência a importância de previsões técnicas e da preparação da população diante de cenários climáticos cada vez mais extremos.
Especialistas lembram que não é correto atribuir um tornado ou ciclone exclusivamente ao El Niño, mas o fenômeno altera a circulação atmosférica e aumenta a probabilidade de episódios severos, especialmente no Sul do país. Nesse contexto, os alertas antecipados de meteorologistas tornam-se uma ferramenta essencial para reduzir riscos e salvar vidas.
Os eventos recentes mostram que, diante de um clima cada vez mais imprevisível, ouvir quem estuda a atmosfera pode fazer toda a diferença. E, nesse cenário, o nome de Piter Scheuer ganha reconhecimento por ter alertado, com antecedência, para os perigos que muitos preferiram minimizar.

