Câmara de Foz irá convidar delegado da Receita Federal para conversa com o Legislativo sobre mudança no trajeto dos ônibus

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A decisão da Receita Federal de criar um novo procedimento de fiscalização para ônibus que partem da Rodoviária Internacional de Foz do Iguaçu voltou a provocar reação política nesta terça-feira (25), durante a sessão da Câmara Municipal.

O assunto ganhou espaço na tribuna diante dos impactos que a medida vem provocando na rotina do transporte rodoviário, no trânsito e na mobilidade da cidade.

Pela nova sistemática, os ônibus que deixam a Rodoviária precisam seguir um trajeto específico, passando pela região da Avenida Paraná, onde fica a unidade da Receita Federal, antes de acessar a BR-277. A mudança foi criada para facilitar a fiscalização aduaneira e combater o transporte irregular de mercadorias.

Durante a sessão, o vereador Ranieri questionou justamente a falta de participação do Legislativo nas discussões que antecederam a decisão. Segundo a manifestação feita em plenário, os vereadores não teriam sido consultados nem participado da construção da medida.

A preocupação não é apenas política. A própria Câmara já havia formalizado questionamentos à Alfândega da Receita Federal sobre a Portaria ALF/Foz do Iguaçu nº 299/2026. O requerimento solicita informações sobre o fundamento legal da medida, estudos de impacto viário, participação do Município, consulta à Câmara, diálogo com empresas de transporte, ANTT, setor turístico e outros órgãos.

Diante da repercussão negativa e das dúvidas levantadas pelos vereadores, o presidente da Câmara anunciou em plenário que pretende convidar o delegado da Receita Federal em Foz do Iguaçu para uma conversa com o Legislativo.

A intenção é abrir um canal direto de diálogo e buscar esclarecimentos sobre os motivos que levaram à criação da nova rota, os impactos previstos para o trânsito e para os passageiros e, principalmente, por que o Poder Legislativo municipal não participou das discussões.

A cobrança acontece em um momento de crescente tensão entre os setores afetados pela mudança. Trabalhadores e pessoas ligadas ao transporte rodoviário chegaram a realizar protesto em frente à unidade da Receita Federal, questionando os efeitos da nova rota.

A Receita Federal, por sua vez, afirma que a mudança tem como objetivo reforçar a fiscalização aduaneira e combater contrabando, descaminho e outras irregularidades na faixa de fronteira. O órgão também afirma que a decisão foi construída com participação de diferentes setores e que os impactos continuam sendo acompanhados para eventuais ajustes.

Agora, a Câmara de Foz quer ouvir diretamente a Receita.

O episódio coloca uma questão importante no centro do debate: até onde um órgão federal pode alterar a circulação de um serviço que interfere diretamente na mobilidade urbana de uma cidade sem uma discussão mais ampla com o poder público municipal e a sociedade?

A reunião entre vereadores e Receita Federal poderá ser decisiva para esclarecer essa disputa e avaliar se o modelo adotado pode ser aperfeiçoado para garantir fiscalização eficiente sem criar novos problemas para o trânsito, passageiros, empresas e turismo de Foz do Iguaçu.