Foz coloca logística no centro do debate político e cobra soluções para a fronteira

Política

Audiência na Câmara discutiu o peso do transporte internacional para a cidade e os problemas enfrentados diariamente por caminhoneiros e empresas

Foz do Iguaçu não vive apenas do turismo. A posição estratégica na Tríplice Fronteira também coloca o município no centro de uma intensa movimentação de cargas entre Brasil, Paraguai e outros países do Mercosul.

Essa realidade voltou ao debate político nesta terça-feira (22), durante uma audiência pública realizada na Câmara Municipal. O encontro discutiu a proposta de reconhecer oficialmente Foz como Capital Nacional do Transporte Rodoviário Internacional de Cargas.

A discussão ganhou importância diante do tamanho da operação logística existente na cidade. Segundo dados apresentados durante a audiência, o setor movimentou aproximadamente US$ 10 bilhões em comércio exterior em 2025, com mais de 5 milhões de toneladas de produtos processados.

Mais caminhões, mais desafios

A movimentação de cargas representa uma importante atividade econômica, mas também traz problemas que acabam chegando ao cotidiano da população.

Filas na região da fronteira, circulação de veículos pesados, infraestrutura viária e condições oferecidas aos caminhoneiros foram alguns dos pontos colocados em discussão.

Durante a audiência, representantes do setor defenderam que o crescimento da atividade precisa vir acompanhado de investimentos capazes de melhorar a estrutura logística e reduzir os gargalos existentes.

Outro dado apresentado aponta que o transporte e a logística contribuíram com cerca de R$ 110 milhões em ISSQN para o município, mostrando o impacto financeiro da atividade para os cofres públicos.

Reconhecimento pode aumentar pressão por investimentos

A proposta discutida na Câmara não trata apenas de um título simbólico.

A expectativa apresentada por representantes do setor é que o reconhecimento possa fortalecer a posição de Foz nas discussões por investimentos em infraestrutura e melhorias na circulação de cargas.

O tema foi levado à Câmara por meio do Requerimento nº 710/2026, de autoria do vereador Paulo Debrito. A audiência reuniu representantes do Legislativo, Executivo, setor de transporte, despachantes aduaneiros e órgãos ligados à fiscalização.

O desafio está na prática

Para Foz, o debate coloca uma questão central: se a cidade já possui uma posição estratégica no transporte internacional, como transformar essa vantagem em infraestrutura e desenvolvimento sem deixar os problemas da fronteira aumentarem?

A resposta passa por obras, organização do trânsito de cargas, estrutura para os trabalhadores e articulação entre município, Estado e União.

O debate realizado na Câmara representa uma etapa inicial da discussão sobre o reconhecimento nacional de Foz como referência no transporte rodoviário internacional.

Fonte: Câmara Municipal de Foz do Iguaçu e informações apresentadas na audiência pública.