Destituído pelo Senado após julgamento político, Peña está em prisão domiciliar por determinação da Fiscalía. Investigação apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Ueno Bank e também alcança o ex-presidente do Banco Central.
A crise política e financeira no Paraguai entrou em uma nova fase. O ex-presidente Santiago Peña foi detido na noite de sexta-feira (6), poucas horas depois de ser afastado definitivamente do comando do país pelo Senado. Neste sábado (7), ele deverá comparecer ao Ministério Público paraguaio para prestar depoimento sobre as investigações envolvendo o Ueno Bank.
A ordem de detenção foi determinada por uma equipe de promotores que investiga possíveis irregularidades relacionadas à instituição financeira. Peña deverá permanecer em prisão domiciliar até ser apresentado às autoridades responsáveis pelo procedimento.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal paraguaio La Nación, a audiência de Peña está prevista para as 11h30, na Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção, em Assunção. O ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, também deverá comparecer, com horário marcado para as 15h30.
Destituição abriu caminho para a prisão
A detenção ocorreu depois de uma sexta-feira marcada por acontecimentos históricos na política paraguaia.
O Senado aprovou por unanimidade o julgamento político que resultou na destituição de Santiago Peña, sob acusações de mau desempenho de suas funções e questionamentos relacionados à crise do Ueno Bank.
Com a decisão, o então presidente perdeu as garantias institucionais associadas ao exercício do cargo. O vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência da República.
Peña havia anunciado sua renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso não conseguiu concluir a votação para aceitar o pedido. O processo de julgamento político prosseguiu e terminou com sua saída do governo.
Investigação apura suspeitas de irregularidades no Ueno Bank
A investigação criminal busca esclarecer possíveis responsabilidades de autoridades e ex-autoridades nas operações do Ueno Bank, incluindo mecanismos de fiscalização, supervisão do Banco Central e movimentação de recursos públicos depositados na instituição.
Entre os crimes inicialmente apontados pelos investigadores estão suspeitas de lesão de confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio.
O ex-presidente havia sido acionista do grupo empresarial ligado ao banco e declarou participação societária antes de vender suas ações em 2025. Essa relação passou a integrar os questionamentos levantados durante as investigações.
As suspeitas ainda estão sob apuração e não representam uma condenação criminal.
Ex-presidente do Banco Central também foi alvo de detenção
Além de Peña, Carlos Carvallo, que comandou o Banco Central do Paraguai, também teve sua detenção determinada.
A investigação pretende esclarecer a atuação de autoridades responsáveis pela fiscalização do sistema financeiro e as circunstâncias que envolveram a situação do Ueno Bank.
O colapso da instituição provocou uma crise de grandes proporções, atingindo milhões de clientes e gerando preocupação com depósitos de órgãos públicos e recursos previdenciários.
Crise política e financeira abala o Paraguai
O caso Ueno Bank desencadeou uma sequência de acontecimentos que culminaram na queda de Santiago Peña.
Além da crise bancária, o episódio provocou manifestações de correntistas, questionamentos sobre a atuação das autoridades financeiras e uma profunda disputa política no Congresso.
Agora, com a investigação criminal avançando e o ex-presidente submetido à detenção domiciliar, o Paraguai entra em uma nova etapa de instabilidade institucional.
O depoimento previsto para este sábado poderá representar mais um passo para esclarecer as responsabilidades no caso que derrubou o governo e colocou o sistema político paraguaio sob forte pressão.
A investigação continua, e a Justiça deverá decidir os próximos passos em relação às medidas cautelares impostas ao ex-presidente.
Vlog do Jaime — Informação num piscar de olhos.
