Audiência pública sobre o TFD expõe dificuldades enfrentadas por pacientes em Foz do Iguaçu

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Uma audiência pública realizada na terça-feira (18), na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu, colocou no centro do debate as dificuldades enfrentadas por pacientes que dependem do Programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD) para realizar consultas, exames e tratamentos de saúde em outros municípios.

A audiência foi realizada a partir do Requerimento nº 253/2026, de autoria da vereadora Valentina, com o objetivo de discutir o funcionamento do programa e buscar alternativas para melhorar o atendimento aos usuários.

Durante o encontro, pacientes e acompanhantes fizeram relatos emocionados sobre a rotina enfrentada nas viagens. Entre as principais reclamações estavam as condições dos veículos, falta de acessibilidade, estrutura das casas de apoio e atendimento oferecido durante os deslocamentos.

Segundo informações apresentadas na audiência, mais de 8 mil pacientes estão atualmente ativos no TFD. Entre janeiro e julho deste ano, mais de 10 mil pessoas foram transportadas pelo programa, que oferece suporte logístico para moradores encaminhados a tratamentos especializados fora de Foz do Iguaçu.

Os relatos apresentados durante a audiência deram dimensão das dificuldades enfrentadas por quem precisa deixar Foz para cuidar da própria saúde.

Maria Ivone Dias, mãe e acompanhante de uma pessoa com paralisia cerebral, relatou problemas relacionados ao transporte e às casas de apoio e afirmou ter procurado a ouvidoria em diferentes oportunidades.

Já Maria Vanceta, usuária do TFD desde 2019, criticou as condições das viagens, que podem chegar a 12 horas de duração, além de apontar problemas de acessibilidade nas hospedagens.

Também foram relatadas dificuldades envolvendo corredores estreitos, acomodação, banheiros e veículos que não ofereceriam estrutura adequada para pacientes que utilizam cadeiras de rodas.

Para muitos usuários, o tratamento médico não termina quando deixam Foz do Iguaçu. A busca pelo atendimento especializado acaba se transformando em uma verdadeira maratona de deslocamentos, que envolve transporte, espera, hospedagem e retorno para casa.

O debate também ocorre em meio às discussões sobre a contratação de serviços relacionados ao TFD. Uma licitação municipal para transporte de usuários e acompanhantes encaminhados pelo programa teve valor estimado superior a R$ 2,5 milhões, conforme edital publicado em julho.

No entanto, a cifra de mais de R$ 1,6 milhão também aparece nas discussões e materiais relacionados ao serviço, valor que deve ser tratado separadamente conforme o objeto específico da contratação.

A dimensão dos recursos envolvidos aumenta a cobrança por qualidade, transparência e fiscalização dos serviços oferecidos aos pacientes.

Durante a audiência, representantes da administração municipal apresentaram esclarecimentos sobre o funcionamento do programa.

O supervisor do TFD, Adolfo Cardoso, afirmou que a equipe busca atender às demandas apresentadas pelos usuários, mas explicou que existem limitações relacionadas aos contratos firmados pelo município.

Representantes da área da Saúde também afirmaram que as manifestações dos pacientes devem ser consideradas na avaliação do serviço e que os relatos apresentados durante a audiência poderão contribuir para a busca de soluções.

O coordenador-geral do SAMU, Fabrício Leonardo, informou ainda que a Secretaria de Saúde trabalha na aquisição de novos equipamentos destinados ao TFD e a outros serviços.

Ao final, as principais demandas ficaram concentradas em transporte, hospedagem e acessibilidade. A Câmara registrou a necessidade de aperfeiçoamento do programa e de maior diálogo entre o poder público e os usuários.

Mais do que discutir contratos e estrutura, a audiência expôs uma realidade vivida diariamente por milhares de pessoas: pacientes que já enfrentam a fragilidade provocada pela doença e ainda precisam percorrer longas distâncias para conseguir atendimento médico.

A audiência pública colocou essas histórias no centro do debate e deixou uma pergunta que permanece para o poder público: como garantir que o tratamento fora de Foz não se transforme em mais uma etapa de sofrimento para quem já está lutando pela própria saúde?