A Polícia Federal recusou uma segunda proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e um dos principais investigados na Operação Compliance Zero. A decisão foi comunicada oficialmente à defesa do banqueiro por meio de correspondência eletrônica encaminhada nesta quarta-feira (10).
De acordo com informações repassadas aos advogados, os investigadores entenderam que os termos oferecidos não atendem aos interesses da apuração em andamento. A posição mantém o mesmo entendimento adotado anteriormente, quando uma primeira tentativa de colaboração também foi rejeitada pela corporação.
Preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, Vorcaro foi informado da decisão durante visita de seus defensores nesta quinta-feira (11). Com a negativa da PF, a estratégia da defesa passa a se concentrar na análise da proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão que também possui competência para avaliar eventuais acordos de colaboração em investigações de grande repercussão.
Caso Banco Master
Daniel Vorcaro está no centro de uma das maiores investigações financeiras em curso no país. A Operação Compliance Zero apura suspeitas de gestão fraudulenta, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e outras irregularidades relacionadas às atividades do Banco Master. As investigações resultaram em diversas fases da operação, prisões preventivas, bloqueio bilionário de ativos e apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos.
Segundo informações divulgadas ao longo das investigações, a Polícia Federal suspeita da utilização de estruturas financeiras consideradas irregulares para sustentar operações de captação de recursos. O caso ganhou ainda mais relevância após a liquidação extrajudicial do Banco Master e os impactos gerados sobre investidores e instituições financeiras ligadas ao grupo.
Expectativa sobre a colaboração
A eventual delação de Vorcaro é vista como uma peça importante para esclarecer possíveis conexões entre empresários, agentes públicos e integrantes do sistema financeiro que aparecem no radar das investigações. Fontes ligadas ao caso avaliam que um acordo homologado poderia ampliar significativamente o alcance das apurações.
Por enquanto, no entanto, a colaboração segue sem aval da Polícia Federal. A expectativa agora está voltada para a análise da Procuradoria-Geral da República, que deverá decidir se há interesse institucional em avançar nas negociações com o banqueiro.
Caso a PGR também rejeite a proposta, as alternativas jurídicas da defesa para buscar um acordo formal poderão ficar significativamente mais restritas, aumentando a pressão sobre o empresário em meio ao avanço das investigações.

