Dois adolescentes paraguaios estavam entre as pessoas encontradas em condições degradantes durante colheita de mandioca
Uma fiscalização trabalhista terminou com o resgate de 12 trabalhadores que estavam em condições análogas à escravidão na zona rural de Paranacity, no Noroeste do Paraná.
Entre os resgatados estavam dez adultos e dois adolescentes, de 15 e 16 anos. Sete integrantes do grupo eram paraguaios, incluindo os dois menores, e teriam chegado ao Brasil após encontrarem uma oferta de trabalho divulgada por meio de uma rede social.
O grupo trabalhava na colheita de mandioca e, segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, vinha sendo transportado e recrutado por um intermediário conhecido como “gato”. Os trabalhadores teriam atuado em diferentes propriedades da região desde o fim de agosto.
Dormiam no chão e estavam sem alimentos
Durante a fiscalização, os auditores encontraram o alojamento em condições consideradas degradantes. Os trabalhadores dormiam em colchões colocados diretamente no chão, em um imóvel sem condições adequadas de higiene e onde não havia alimentos disponíveis.
Outro ponto identificado foi a situação dos pagamentos. Segundo as informações divulgadas pela fiscalização, o grupo recebeu dinheiro apenas na primeira semana e depois continuou trabalhando sem receber os salários correspondentes.
Após o resgate, os trabalhadores foram retirados do local e encaminhados para um hotel, onde receberam alimentação e assistência.
Sete eram paraguaios
A presença de trabalhadores paraguaios chama atenção pela proximidade de Paranacity com a região de fronteira e pelo método utilizado no recrutamento: uma oferta de emprego divulgada pela internet.
O caso também envolve dois adolescentes, o que aumenta a gravidade da situação e deverá ser considerado pelas autoridades na apuração das responsabilidades.
Os trabalhadores terão direito às verbas trabalhistas devidas e ao seguro-desemprego específico destinado a pessoas resgatadas de condições análogas à escravidão. Também estão previstas medidas relacionadas aos danos causados aos trabalhadores.
O episódio serve ainda como alerta para ofertas de emprego divulgadas nas redes sociais. Promessas de salários e condições melhores podem esconder situações de exploração, principalmente quando o trabalhador é recrutado, transportado e passa a depender de intermediários.
Fonte: Auditoria-Fiscal do Trabalho / Ministério do Trabalho e Emprego
