Marina Fariña, de 64 anos, é acusada de integrar esquema que teria lesado cerca de 150 investidores; algumas vítimas relatam perdas de até US$ 100 mil
Uma investigação que começou em Puerto Iguazú, atravessou a fronteira e chegou ao Brasil ganhou um novo capítulo nesta semana. Marina Noemí Fariña, de 64 anos, foi extraditada de Foz do Iguaçu para a Argentina, onde voltou a ficar à disposição da Justiça por sua suposta participação em um esquema de fraude financeira envolvendo as empresas Fininver e Carfar.
A entrega às autoridades argentinas ocorreu na quinta-feira (3), na Ponte Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú. Marina estava presa no Brasil desde 2023, após ser localizada em Foz a partir de um alerta internacional da Interpol.
Agora, do outro lado da fronteira, a acusada voltou a ser interrogada pela Justiça argentina.
Acusada ficou em silêncio
Na sexta-feira (4), Marina foi apresentada ao juiz de Instrução de Puerto Iguazú, Martín Brites. Segundo a imprensa argentina, ela decidiu exercer o direito de permanecer em silêncio.
A Justiça, no entanto, formalizou provisoriamente a acusação contra ela por “estafas, vários fatos”, enquanto a investigação continua.
A defesa apresentou um pedido para que Marina responda ao processo em liberdade, mas, por enquanto, ela permanecerá detida. O juiz aguarda a realização de novas perícias e a coleta de depoimentos considerados importantes para o avanço do caso.
Promessa de rendimentos teria atraído investidores
De acordo com a investigação argentina, Marina e o irmão, Diego Humberto Fariña, estariam ligados às empresas Fininver e Carfar, por meio das quais teriam captado dinheiro de investidores.
A suspeita é de que os clientes entregavam recursos em dólares, reais ou pesos argentinos atraídos por promessas de rendimentos mensais que chegariam a entre 1,3% e 1,8%.
Segundo os investigadores, inicialmente os pagamentos teriam ocorrido normalmente. O mecanismo teria criado confiança entre os investidores e estimulado novas aplicações.
O problema teria começado a aparecer com maior intensidade durante a pandemia de Covid-19, quando os pagamentos começaram a atrasar e os investidores passaram a encontrar dificuldades para recuperar o dinheiro aplicado.
Cerca de 150 pessoas teriam sido prejudicadas
A investigação estima que aproximadamente 150 investidores possam ter sido vítimas do esquema.
Entre os supostos prejudicados estão médicos, comerciantes e empresários dos setores gastronômico e hoteleiro de Puerto Iguazú.
O caso chama atenção pelo tamanho das perdas. Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, algumas vítimas teriam perdido até US$ 100 mil.
Até o momento, segundo as informações disponíveis, os investigadores não conseguiram recuperar os valores apontados como prejuízo.
Investigação começou em 2022
As denúncias começaram a ganhar força em 2022. Naquele ano, a Justiça argentina determinou buscas nos estabelecimentos relacionados às empresas investigadas e também foram expedidas ordens de captura internacional.
O nome de Marina entrou no radar da Interpol. Ela acabou localizada em Foz do Iguaçu e teve a prisão preventiva para fins de extradição decretada no Brasil.
Documentos relacionados ao processo de extradição mostram que a prisão ocorreu em fevereiro de 2023. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal autorizou a entrega da argentina às autoridades de seu país.
Apesar da autorização judicial, a extradição somente foi efetivada agora, em setembro de 2026.
O irmão também é investigado
Diego Humberto Fariña, irmão de Marina, também responde ao processo na Argentina.
Ele havia sido localizado na Espanha e posteriormente extraditado para o país. Atualmente está em liberdade, mas continua submetido à ação judicial relacionada ao caso.
Com Marina novamente em território argentino, a expectativa da Justiça é concluir as medidas de investigação que ainda estão pendentes.
O processo poderá avançar para uma nova etapa nas próximas semanas, caso as perícias e os depoimentos restantes sejam concluídos.
Caso expõe dimensão internacional das investigações na fronteira
A trajetória de Marina Fariña também evidencia como crimes investigados em cidades da Tríplice Fronteira podem rapidamente ultrapassar os limites de um único país.
A suspeita começou em Puerto Iguazú, passou pela investigação internacional e terminou com a localização da acusada em Foz do Iguaçu, antes de sua posterior entrega às autoridades argentinas pela Ponte Tancredo Neves.
Agora, a Justiça argentina terá a responsabilidade de esclarecer o destino dos valores envolvidos e determinar, ao final do processo, a responsabilidade de cada um dos investigados.

