Foz terá 3.888 novas cirurgias pelo SUS enquanto fila ainda supera 21 mil pacientes

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Procedimentos serão realizados pelo Centro Integrado em Saúde dentro do programa Agora Tem Especialistas; município já realizou mais de 4 mil cirurgias desde janeiro de 2025

Foz do Iguaçu terá um reforço de quase quatro mil cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde anunciou, na sexta-feira (4), a realização de 3.888 procedimentos cirúrgicos no município por meio do programa Agora Tem Especialistas.

Os procedimentos serão realizados pelo Centro Integrado em Saúde (CIS), instalado no Poliambulatório Nossa Senhora Aparecida, utilizando a estrutura da rede privada e filantrópica para ampliar a capacidade de atendimento aos pacientes do SUS.

A medida chega em um momento em que a demanda reprimida por atendimento especializado ainda é um dos principais desafios da saúde pública em Foz.

Mais de 21 mil pacientes aguardam procedimentos

Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que o Poliambulatório Nossa Senhora Aparecida realizou 4.050 cirurgias entre janeiro de 2025 e junho de 2026.

Mesmo com esse volume de procedimentos, a fila de pacientes caiu de 24.180 pessoas, em janeiro de 2025, para 21.509 em junho de 2026.

A redução foi de 11,04% no período.

O número chama atenção porque demonstra o tamanho da demanda acumulada: mesmo depois de milhares de cirurgias realizadas, mais de 21 mil pacientes ainda permaneciam aguardando algum tipo de procedimento especializado.

E há uma explicação importante: a fila do SUS é dinâmica. Enquanto pacientes são atendidos, novos casos são incluídos no sistema de regulação, fazendo com que a demanda não diminua necessariamente na mesma proporção do número de cirurgias realizadas.

Paraná terá 14,4 mil procedimentos

Foz do Iguaçu está entre os municípios paranaenses contemplados pelo novo pacote do governo federal.

Ao todo, o Ministério da Saúde prevê 14,4 mil procedimentos no Paraná, com investimento de aproximadamente R$ 37,8 milhões. A programação inclui cirurgias e outros atendimentos em municípios como Fazenda Rio Grande, Londrina, Maringá, Rolândia, Santa Mariana e Umuarama.

Em todo o país, o programa Agora Tem Especialistas prevê mais de 600 mil procedimentos gratuitos para pacientes do SUS. A estratégia utiliza contratos e créditos financeiros para permitir que instituições privadas e filantrópicas ampliem o atendimento da rede pública.

Segundo o Ministério da Saúde, os procedimentos abrangem diferentes áreas, incluindo oftalmologia, cardiologia, ortopedia, oncologia, ginecologia e otorrinolaringologia.

Quem está na fila precisa procurar o CIS?

A orientação divulgada é que os pacientes não precisam procurar diretamente o Centro Integrado em Saúde para tentar conseguir uma vaga.

A seleção deverá seguir o fluxo de regulação do SUS, conforme os critérios estabelecidos pela Secretaria Municipal de Saúde e a disponibilidade dos procedimentos.

A recomendação aos pacientes que já estão cadastrados na rede pública é manter dados pessoais, telefone e demais informações atualizados na Unidade Básica de Saúde (UBS) onde possuem cadastro.

Ainda falta definir quais cirurgias serão realizadas

Apesar do anúncio das 3.888 cirurgias, o detalhamento das especialidades, o cronograma e a data de início dos procedimentos em Foz ainda não foram divulgados.

Essa informação será fundamental para que os pacientes saibam exatamente quais procedimentos serão contemplados e como ocorrerá a convocação.

Além da iniciativa federal, o Estado do Paraná também prevê novos investimentos na unidade por meio do programa Opera Paraná, com previsão de 2.050 cirurgias adicionais, 7.930 consultas e 21 mil exames, segundo informações divulgadas sobre a ampliação do atendimento no Poliambulatório.

O desafio agora é transformar anúncio em atendimento

O anúncio representa um reforço importante para a saúde pública de Foz do Iguaçu, mas o tamanho da fila mostra que o desafio está longe de terminar.

Com mais de 21 mil pacientes ainda aguardando procedimentos, a expectativa agora é saber quando as novas cirurgias começarão, quais especialidades serão priorizadas e quantos pacientes efetivamente deixarão a fila.

Para quem espera há meses ou até anos por um procedimento, o anúncio só terá impacto concreto quando a cirurgia finalmente sair do papel e chegar à mesa de operação.