Relatório questiona retirada de 7 mil livros de inglês e analisa proposta de R$ 576 mil para novo sistema de ensino
A investigação sobre a retirada de milhares de livros de inglês das escolas municipais de Foz do Iguaçu ganhou um novo capítulo. O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aponta falhas no procedimento adotado pela Secretaria Municipal de Educação e recomenda que o caso seja encaminhado aos órgãos de fiscalização.
Segundo o documento, aproximadamente 7 mil exemplares da coleção English After School foram recolhidos em junho de 2025 sem parecer técnico-pedagógico formal e sem planejamento apresentado para substituir o material utilizado pelos estudantes.
Um dos pontos que chamaram a atenção dos integrantes da comissão foi a existência de uma proposta da empresa Systemic, no valor de R$ 576 mil, para atender 320 alunos em 2026. A CPI analisou a proximidade entre a visita de servidores à empresa, o anúncio da retirada dos livros e a apresentação da proposta comercial.
Apesar dos questionamentos, o relatório não concluiu que houve direcionamento da contratação. Os vereadores afirmam que não encontraram provas contundentes de uma relação indevida entre o recolhimento dos exemplares e a possível aquisição de um novo sistema de ensino.
A comissão também apontou possíveis prejuízos pedagógicos decorrentes da falta de continuidade no uso do material didático. A Prefeitura, por sua vez, contesta essa conclusão e afirma que não houve prejuízo aos alunos, argumentando que outras ferramentas e materiais foram utilizados nas aulas de inglês.
O relatório recomenda o encaminhamento da documentação ao Ministério Público do Paraná, ao Tribunal de Contas do Estado e à Controladoria-Geral do Município, que poderão avaliar os fatos e decidir sobre eventuais providências.
O caso agora coloca em discussão a condução das decisões administrativas na educação municipal, a justificativa para a retirada dos livros e a transparência nos procedimentos relacionados à escolha de materiais didáticos.
A apuração segue sem responsabilização definitiva. Caberá aos órgãos competentes analisar os documentos e verificar se houve irregularidades.
