Apreensão na fronteira revelou transporte clandestino de ovos de aves nativas; cada unidade poderia valer até 50 mil euros no mercado europeu.
Por Vlog do Jaime | Foz do Iguaçu (PR)
Uma fiscalização de rotina em Foz do Iguaçu revelou um caso que chama a atenção pelo possível valor da carga e pelos riscos envolvidos para a fauna brasileira. Ovos de aves nativas transportados clandestinamente por um casal de passageiros de nacionalidade chinesa começaram a eclodir após serem apreendidos pela Receita Federal. Até a manhã de terça-feira (27), 12 filhotes já haviam nascido.
A apreensão ocorreu no sábado (24), durante a abordagem a um ônibus interestadual que seguia para o Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, os ovos poderiam alcançar o valor de até 50 mil euros cada no mercado europeu.
Ovos estavam escondidos em incubadoras improvisadas e roupas
A carga foi descoberta durante a fiscalização nas proximidades da Alfândega da Receita Federal. Parte dos ovos estava acondicionada em caixas térmicas e de papelão adaptadas com circuitos eletrônicos, ventiladores e sensores destinados ao controle da temperatura e da ventilação.
No momento da abordagem, os equipamentos estavam desligados ou não funcionavam. Outros ovos foram encontrados escondidos no forro e nas costuras da jaqueta utilizada por uma das passageiras.
De acordo com a Receita Federal, o casal relatou ter recebido os ovos em Foz do Iguaçu e que receberia R$ 3 mil para transportá-los até o Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.
Filhotes recebem cuidados especializados em Foz
Após a apreensão, os ovos foram encaminhados para os cuidados de equipes ambientais. A Itaipu Binacional informou que profissionais do Refúgio Biológico Bela Vista passaram a acompanhar o desenvolvimento dos embriões e dos filhotes.
Até 27 de outubro, 12 ovos haviam eclodido: dez filhotes pertencem ao grupo dos ranfastídeos, que inclui tucanos e araçaris, e dois são da família dos psitacídeos, que reúne aves como papagaios e araras. A identificação exata das espécies ainda está em andamento.
Os filhotes são transferidos para uma Unidade de Tratamento Animal, onde devem permanecer por pelo menos 40 dias, dependendo da evolução de cada um.
A rotina exige atenção constante: os animais recebem alimentação especializada, e os profissionais monitoram seu desenvolvimento. O contato humano é reduzido para evitar que as aves criem vínculos excessivos com os cuidadores, o que poderia dificultar uma eventual reintrodução na natureza.
Caso levanta alerta sobre o tráfico de animais silvestres
A estimativa de até 50 mil euros por ovo no mercado europeu evidencia o possível valor comercial atribuído a espécies silvestres. Entretanto, esse montante é uma estimativa informada pela Receita Federal, e não uma avaliação individual comprovada de cada unidade apreendida.
O casal foi encaminhado à Polícia Federal para os procedimentos cabíveis. A Receita Federal também informou que encaminharia representações fiscais para fins penais ao Ministério Público Federal.
A destinação definitiva das aves dependerá da avaliação dos órgãos ambientais responsáveis, inclusive quanto à possibilidade de soltura futura.
O caso reforça a importância da fiscalização na região de fronteira, onde a proteção da biodiversidade também depende do combate ao transporte clandestino de animais silvestres.
Vlog do Jaime — Informação num piscar de olhos.
