Ministro do STF determinou a prorrogação da votação até as 19h, mas precisou esclarecer a medida depois que urnas já haviam sido fechadas. Situação provocou tensão na Justiça Eleitoral e interrompeu temporariamente a totalização dos votos.
Vlog do Jaime | Política e Eleições 2026
O segundo turno das eleições presidenciais deste domingo, 25 de outubro, foi marcado por uma decisão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF), que alterou o horário de encerramento da votação em meio a denúncias de dificuldades no transporte público em diferentes regiões do Brasil.
O ministro Cristiano Zanin determinou a ampliação do período de votação até as 19h, duas horas além do horário inicialmente estabelecido pela Justiça Eleitoral.
A decisão foi tomada após a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, recorrer ao Supremo alegando que a redução da circulação de ônibus poderia ter impedido milhares de eleitores de chegar às seções eleitorais.
As reclamações envolveram principalmente os municípios baianos de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. Também foram relatadas dificuldades no transporte coletivo em São Paulo e outras localidades.
Decisão chegou quando urnas já estavam sendo fechadas
Um dos pontos mais delicados da situação foi o momento em que a determinação judicial se tornou pública.
Zanin informou ter tomado conhecimento dos fatos por volta das 16h32, menos de meia hora antes do encerramento oficial da votação, previsto para as 17h.
Entretanto, quando a decisão começou a ser comunicada, diversas seções eleitorais já haviam encerrado suas atividades, emitido os boletins de urna e iniciado os procedimentos de transmissão dos resultados.
O cenário provocou dúvidas entre mesários, tribunais regionais eleitorais e responsáveis pela organização do pleito.
Diante do impasse, ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizaram uma reunião reservada para discutir como cumprir a determinação do Supremo sem comprometer os procedimentos eleitorais.
Zanin recua parcialmente e esclarece determinação
Após a repercussão e as dificuldades operacionais, Cristiano Zanin divulgou um esclarecimento estabelecendo que a ampliação até as 19h deveria ser aplicada somente às seções eleitorais que ainda permaneciam abertas.
Nos locais onde as urnas já haviam sido encerradas, os votos registrados seriam computados normalmente, sem necessidade de reabertura.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou orientação aos tribunais regionais eleitorais para que as seções ainda em funcionamento permanecessem abertas até o novo horário.
A medida, entretanto, não eliminou os questionamentos sobre o tratamento diferente entre eleitores de seções que já haviam encerrado as atividades e aqueles que ainda poderiam votar.
Lula e Flávio Bolsonaro apresentaram pedidos
Embora a decisão inicial tenha sido motivada por uma ação da campanha de Lula, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) também apresentou solicitação à Justiça Eleitoral para ampliar o horário de votação.
No caso da campanha de Bolsonaro, a justificativa envolveu principalmente as fortes chuvas que atingiram municípios de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, dificultando o deslocamento dos eleitores.
Assim, as duas candidaturas defenderam medidas para permitir que cidadãos prejudicados por problemas de mobilidade conseguissem exercer o direito ao voto.
Apuração chegou a ser interrompida
A determinação do STF também provocou reflexos na divulgação dos resultados.
O TSE interrompeu temporariamente a totalização dos votos após a decisão de Zanin.
Naquele momento, a Justiça Eleitoral já havia começado a contabilizar os boletins das urnas encerradas às 17h.
A suspensão temporária não significou anulação dos votos registrados, mas uma adequação dos procedimentos diante da ampliação do horário de votação.
Uma decisão que levanta questionamentos
A situação abre um debate sobre o planejamento do transporte público nos dias de eleição, a responsabilidade das administrações municipais e a capacidade de resposta das autoridades eleitorais diante de problemas identificados durante o pleito.
Em 2023, o STF já havia estabelecido obrigações relacionadas à oferta gratuita de transporte coletivo nos dias de votação, proibindo a redução do serviço pelos municípios.
O episódio deste domingo coloca novamente em discussão o cumprimento dessas determinações.
Também surge uma questão sobre o momento da intervenção judicial: se os problemas no transporte já eram relatados ao longo do dia, seria possível uma atuação mais rápida para evitar que a decisão chegasse quando parte das urnas já estava fechada?
A pergunta ganha importância especialmente em uma eleição presidencial marcada pela polarização política e pela necessidade de garantir transparência, segurança jurídica e igualdade de condições aos eleitores.
A apuração das circunstâncias envolvendo a oferta de ônibus e eventuais descumprimentos de ordens judiciais deverá esclarecer as responsabilidades pelo episódio.
O que deveria ser uma votação encerrada às 17h transformou-se em um impasse entre decisões judiciais, dificuldades operacionais e o direito de milhões de brasileiros de participar da escolha do próximo presidente da República.
Vlog do Jaime — Informação num piscar de olhos.
Fontes consultadas: Agência Brasil
