Uma tragédia chocante expôs, mais uma vez, a fragilidade de obras públicas milionárias no Brasil. Um trecho da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no Acre, desabou na noite desta quinta-feira, deixando quatro pessoas feridas. Entre as vítimas está o juiz aposentado Edinaldo Muniz, de 54 anos, que sofreu traumatismo craniano e graves lesões internas.
O caso ganhou ainda mais repercussão porque, no exato momento do acidente, o magistrado realizava uma transmissão ao vivo nas redes sociais denunciando as condições da estrutura. Durante a live, ele questionava como uma ponte que custou cerca de R$ 36 milhões aos cofres públicos poderia apresentar problemas tão graves após pouco mais de dois anos de uso.
Segundo relatos, Muniz alertava que pilastras da ponte já haviam cedido e criticava a situação da obra, que estava interditada. Poucos instantes depois, parte da estrutura veio abaixo.
O episódio levanta questionamentos sobre a qualidade da construção, a fiscalização da obra e a aplicação dos recursos públicos. Afinal, como uma ponte que consumiu milhões de reais consegue entrar em colapso antes mesmo de completar três anos de existência?
Enquanto as vítimas recebem atendimento médico, a população cobra respostas e responsabilização pelos prejuízos e pelos riscos que uma obra tão cara acabou representando para quem passava pelo local.

