Enquanto milhares de colombianos enfrentam uma das maiores tragédias recentes do país, decisão do novo governo levanta uma pergunta incômoda: em uma emergência, a política pode falar mais alto que a solidariedade?
O terremoto de magnitude 7,4 deixou um rastro de destruição na Colômbia, com centenas de mortos, desaparecidos e milhares de famílias afetadas. Em meio ao caos, diversos países se colocaram à disposição para ajudar.
México e Brasil estão entre os países que ofereceram apoio. O governo brasileiro confirmou a disposição de enviar ajuda humanitária após contato entre os chanceleres dos dois países.
A polêmica, porém, ganhou força diante da decisão do governo do recém-empossado presidente colombiano Abelardo de la Espriella, político de direita, de não autorizar a atuação de determinados grupos estrangeiros de resgate, incluindo os conhecidos Topos mexicanos.
O governo colombiano afirma que a entrada de equipes estrangeiras precisa obedecer aos protocolos internacionais e que a operação está sendo coordenada pelas autoridades nacionais. Também houve ofertas de assistência de outros países.
Mas fica a pergunta que não pode ser ignorada:
Quando há pessoas soterradas e vidas em risco, não deveria toda ajuda tecnicamente qualificada ser bem-vinda, independentemente de quem esteja oferecendo?
É importante deixar claro: o governo colombiano nega que a decisão tenha sido tomada por razões ideológicas.
Ainda assim, a escolha provoca questionamentos.
Porque terremoto não pergunta em quem você votou.
Não escolhe esquerda ou direita.
Não respeita fronteiras.
E quando a terra desaba, talvez a única ideologia que deveria existir seja salvar vidas.

