A decisão da Câmara de Foz do Iguaçu de manter o veto da Prefeitura a um projeto que previa a divulgação diária do tempo de espera na rede pública de saúde reacendeu o debate sobre transparência no atendimento à população.
A proposta, de autoria do vereador Ranieri Marchioro, buscava ampliar uma legislação já existente. Atualmente, unidades de saúde são obrigadas a informar, em local visível, a lista de profissionais em atividade. O novo texto iria além: pretendia incluir a divulgação diária do tempo médio de espera para serviços como consultas médicas, atendimentos de enfermagem, vacinação, odontologia e exames laboratoriais.
No entanto, por 10 votos a 5, os vereadores decidiram manter o veto do Executivo, enterrando a proposta.
A justificativa da Prefeitura se baseia na dificuldade operacional. Segundo a gestão municipal, não há como estabelecer um tempo médio confiável, já que a demanda varia constantemente influenciada pelo volume de pacientes, a gravidade dos casos e o tipo de atendimento. Essa instabilidade, segundo o argumento oficial, inviabilizaria atualizações diárias com precisão.
Na prática, a decisão mantém o cenário atual: pacientes continuam sem acesso prévio a informações básicas sobre o tempo de espera, o que poderia ajudar na organização e planejamento de quem depende do sistema público.
Para críticos da medida, a transparência não deveria ser tratada como opcional, mesmo diante de desafios operacionais. Já defensores do veto argumentam que a divulgação de dados imprecisos poderia gerar desinformação e frustração ainda maior entre os usuários.
Com o veto mantido, o projeto é arquivado e não será implementado. O resultado reforça um ponto sensível no debate público: até que ponto limitações técnicas justificam a ausência de informação em um serviço essencial?
Enquanto isso, para quem aguarda atendimento, a realidade segue a mesma a fila anda, mas o tempo continua sendo uma incógnita.

