A decisão da juíza Elizabeth Machado Louro de conceder perdão judicial a Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, provocou forte repercussão e uma onda de indignação nas redes sociais e entre familiares da vítima. Henry tinha apenas 4 anos quando morreu, em 8 de março de 2021, em um dos casos de violência infantil mais chocantes da história recente do Brasil.
Durante o julgamento, os jurados afastaram a acusação de homicídio doloso contra Monique e reconheceram sua responsabilidade por omissão diante das agressões sofridas pelo filho. Na sentença, a magistrada entendeu que a perda do único filho, a exposição pública e o que classificou como uma perseguição marcada por preconceitos de gênero justificariam a concessão do perdão judicial.
A decisão, porém, foi recebida com revolta por parte da opinião pública. Críticos argumentam que Henry continua sendo a maior vítima da história e questionam a utilização de argumentos relacionados à misoginia e à cultura patriarcal em um caso envolvendo a morte brutal de uma criança. O Ministério Público do Rio de Janeiro já anunciou que pretende recorrer da sentença.
No mesmo julgamento, o ex-vereador Jairinho foi condenado a mais de 43 anos de prisão pela morte de Henry. O caso teve enorme repercussão nacional e levou à criação da Lei Henry Borel, que ampliou a proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica.
Cinco anos após a tragédia, a decisão judicial reabriu feridas e reacendeu um debate que segue mobilizando o país: até que ponto a Justiça respondeu ao sofrimento de Henry Borel?

