Foz do Iguaçu voltou a acender um sinal de alerta na área da saúde materno-infantil. Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que 23 óbitos infantis foram registrados entre janeiro e abril de 2026, enquanto o município contabilizou 1.448 nascidos vivos no período.
O cenário chama atenção porque ocorre depois de uma trajetória de redução dos registros anuais. Em 2022, Foz contabilizou 57 mortes infantis. Em 2025, o número caiu para 38.
Os dados do primeiro quadrimestre, entretanto, ainda não permitem concluir que 2026 terminará com aumento em relação ao ano passado. São apenas quatro meses de registros e o indicador anual depende da consolidação de todo o período.
A preocupação não se limita aos bebês que morreram após o nascimento. Segundo os dados municipais apresentados, os óbitos fetais cresceram 11,11% no primeiro quadrimestre.
Também foi registrada uma morte materna entre janeiro e abril. Entre os fatores relacionados a esse tipo de ocorrência estão complicações durante a gestação, incluindo problemas hipertensivos e infecções.
Entre as causas associadas aos óbitos infantis aparecem principalmente complicações originadas no período perinatal, que envolve as fases próximas ao nascimento, além de malformações congênitas.
A mortalidade infantil é um dos indicadores utilizados para avaliar as condições de saúde de uma população e está relacionada, entre outros fatores, à assistência oferecida durante a gestação, o parto e os primeiros meses de vida. Documentos oficiais de Foz destacam que os óbitos infantis e fetais são investigados para identificar problemas e possíveis pontos críticos na assistência.
Em 2023, o IBGE apontava 9,26 mortes infantis por mil nascidos vivos em Foz do Iguaçu. Já os dados estaduais mostram que a taxa do município foi de 8,5 por mil em 2025, abaixo dos 11,1 registrados em 2024.
Por isso, os números registrados nos primeiros quatro meses de 2026 merecem acompanhamento cuidadoso: o que parece ser uma oscilação temporária pode se transformar em uma reversão da tendência se o ritmo de óbitos continuar ao longo do ano.
Importante: há uma inconsistência que merece ser esclarecida antes da publicação: 23 óbitos entre 1.448 nascidos vivos correspondem matematicamente a cerca de 15,9 óbitos por mil nascidos vivos, e não 11,2. Portanto, a taxa de 11,2 informada na matéria-base provavelmente utiliza outro recorte ou metodologia. Eu recomendaria solicitar à Secretaria Municipal de Saúde a memória de cálculo para evitar publicar um indicador incorreto.
Essa diferença, inclusive, pode render uma boa pergunta jornalística: afinal, qual é a verdadeira taxa de mortalidade infantil de Foz do Iguaçu no primeiro quadrimestre de 2026?

