Saúde de Foz entra no radar: consultas caem enquanto exames disparam 62%

Saúde

Dados apresentados na Câmara mostram aumento expressivo na realização de exames, mas também redução no número de consultas na rede municipal

A saúde pública de Foz do Iguaçu voltou a provocar questionamentos no Legislativo. Durante a apresentação do balanço do segundo quadrimestre de 2026, os números apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde mostraram uma realidade que chama atenção: enquanto a realização de exames cresceu de forma significativa, o número de consultas caiu em relação ao mesmo período do ano passado.

Entre maio e agosto deste ano, a rede municipal contabilizou 32.588 consultas, número 4,67% menor que o registrado no mesmo período de 2025.

A justificativa apresentada pela Secretaria de Saúde para a redução envolve o encerramento de contratos com médicos.

Exames aumentam quase 63%

Se nas consultas houve redução, nos exames o cenário foi bastante diferente.

A rede municipal realizou 38.903 exames e procedimentos, contra 23.927 no mesmo período do ano anterior. O crescimento foi de 62,59%.

O aumento representa milhares de procedimentos a mais realizados pela rede pública e aparece como um dos principais números do balanço apresentado ao Legislativo.

E as UPAs?

Mas os números não encerraram a discussão.

Durante a prestação de contas, vereadores também questionaram o atendimento nas UPAs e no Hospital Municipal, principalmente diante da demanda por atendimento e da utilização dos leitos.

A Secretaria Municipal de Saúde explicou que o sistema de regulação de leitos vem sendo utilizado para organizar os encaminhamentos e melhorar a ocupação das vagas disponíveis.

Outro indicador apresentado foi o índice de faltas. Nas consultas, o percentual passou de 12,38% para 13,20%. Já nos exames, houve redução: de 13,62% para 10,46%.

O desafio agora é transformar números em atendimento

Os dados apresentados mostram avanços em determinados procedimentos, mas também levantam questionamentos sobre o acesso às consultas e a capacidade da rede de atender a população.

Para quem está do outro lado do balcão, a estatística pouco importa quando existe uma consulta aguardando, um exame que precisa ser realizado ou uma vaga hospitalar que não aparece.

A discussão na Câmara deixa uma pergunta para a gestão municipal: o aumento dos exames está conseguindo acompanhar a demanda criada pela própria população?

A resposta deverá aparecer não apenas nos próximos balanços, mas principalmente na experiência de quem depende diariamente da saúde pública de Foz do Iguaçu.

Fonte: Câmara Municipal de Foz do Iguaçu.