Profissionais denunciam falta de reagentes, escassez de funcionários e salários congelados há 14 anos. Atendimento está restrito a urgências e pacientes internados.
Por Vlog do Jaime | Fronteira
A falta de insumos e as condições de trabalho nos hospitais públicos do Paraguai estão no centro de uma mobilização que atinge Ciudad del Este. Bioquímicos do Hospital Regional e de outros serviços públicos de saúde do departamento de Alto Paraná aderiram a uma greve nacional iniciada na segunda-feira (26), reivindicando melhores salários, mais profissionais e abastecimento regular dos laboratórios.
Nesta quarta-feira (28), terceiro dia da paralisação, os trabalhadores realizaram uma manifestação e ocuparam parcialmente a rodovia PY07, nas proximidades do Hospital Regional de Ciudad del Este. Segundo o sindicato da categoria, as negociações com as autoridades ainda não haviam produzido uma resposta satisfatória.
Falta de reagentes limita exames
Um dos principais problemas apontados pelos profissionais é a falta frequente de reagentes, tubos, seringas e outros materiais necessários para a realização de exames laboratoriais.
De acordo com as denúncias dos trabalhadores, a escassez de insumos tem limitado os serviços a análises de rotina, comprometendo a realização de exames especializados, inclusive os necessários ao acompanhamento de pacientes com câncer.
A situação também preocupa quem depende de resultados rápidos para iniciar ou ajustar tratamentos. Os profissionais afirmam que a falta de materiais não é um problema recente e cobram medidas para garantir o funcionamento adequado dos laboratórios públicos.
Apenas quatro bacteriologistas para todo Alto Paraná
Outro ponto levantado durante a mobilização é a insuficiência de profissionais.
Segundo informações divulgadas pelo jornal paraguaio ABC Color, Alto Paraná conta com apenas quatro bacteriologistas, todos lotados no Hospital Regional de Ciudad del Este.
O Hospital Distrital de Hernandarias, apesar de possuir serviço de terapia intensiva, não dispõe desse profissional. Por isso, as amostras precisam ser encaminhadas a Ciudad del Este para processamento, o que pode atrasar a entrega dos resultados aos pacientes em estado crítico.
Os trabalhadores também relatam sobrecarga de horários e dificuldades para manter o atendimento laboratorial durante as 24 horas do dia.
Salários sem reajuste há 14 anos
A categoria também exige atualização salarial. Segundo representantes sindicais, os vencimentos dos bioquímicos permanecem sem reajuste há 14 anos.
Os profissionais pedem melhores condições de trabalho, contratação de novos funcionários, regularização de vínculos e fornecimento contínuo de materiais.
A paralisação foi convocada para os dias 26, 27 e 28 de outubro, após tentativas de negociação sem acordo entre representantes da categoria e autoridades paraguaias.
Atendimento: o que os pacientes precisam saber
Durante a greve, os atendimentos ambulatoriais e os exames de rotina foram suspensos na rede pública, enquanto as equipes mantiveram serviços de urgência, atendimento a pacientes internados e assistência nas unidades de terapia intensiva.
A restrição pode afetar pacientes que precisam realizar exames programados. A orientação é procurar o hospital para confirmar quais serviços estão disponíveis antes de se deslocar até a unidade.
A situação em Ciudad del Este evidencia um desafio para a saúde pública paraguaia: garantir profissionais, materiais e estrutura suficientes para atender à população, inclusive em procedimentos essenciais para o diagnóstico de doenças.
Vlog do Jaime — Informação num piscar de olhos.
