Uma fotografia que circula nas redes sociais ganhou novo peso no contexto das investigações sobre a fraude dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A imagem reúne políticos de diferentes partidos ao lado do advogado e empresário Willer Tomaz, que aparece entre os investigados na apuração. Entre os nomes identificados estão Arthur Lira, Alexandre Ramagem, Juscelino Filho, Elmar Nascimento, Paulo Azi e Weverton Rocha, segundo informações divulgadas sobre a investigação.
E aqui está o ponto que precisa ser tratado com responsabilidade: uma fotografia não prova crime, participação em esquema ou qualquer irregularidade. O simples fato de alguém aparecer ao lado de uma pessoa investigada não permite concluir que tenha cometido algum delito.
Mas a pergunta jornalística é inevitável: por que tantos personagens importantes da política aparecem reunidos com alguém que hoje está no radar da Polícia Federal?
A investigação da Operação Sem Desconto apura um esquema de descontos associativos não autorizados que atingiu aposentados e pensionistas. A PF e a CGU vêm aprofundando a apuração e rastreando relações financeiras e possíveis conexões entre pessoas e entidades investigadas.
No caso de Weverton Rocha, por exemplo, o senador já foi alvo de medidas de busca e apreensão no âmbito da investigação, enquanto ele nega envolvimento com as irregularidades.
Portanto, a fotografia não é uma sentença. Mas, em uma investigação dessa dimensão, ela pode ajudar a levantar questões que precisam ser esclarecidas pelas autoridades.
Quem conhecia quem? Quais eram essas relações? Existiam negócios ou interesses em comum? Houve troca de favores? Existiam outros encontros? E, principalmente, o que a investigação conseguiu comprovar além das fotografias?
Porque, enquanto os poderosos aparecem sorrindo em encontros reservados, milhões de aposentados continuam esperando respostas e reparação pelos descontos que não autorizaram.
A verdadeira “putaria”, neste caso, não está necessariamente na fotografia.
Está na possibilidade de que o poder político, interesses privados e dinheiro de aposentados tenham circulado perto demais uns dos outros e isso precisa ser esclarecido.
Foto não condena ninguém. Mas perguntas também não podem ser proibidas.

