Foz precisa de mais R$ 12,4 milhões para manter ônibus nas ruas; dinheiro sairá de outras áreas

Foz Política

Projeto da Prefeitura prevê remanejamento de recursos destinados a programas sociais, segurança, obras e investimentos. Mais da metade dos passageiros utiliza alguma modalidade de gratuidade.

Por Redação Vlog do Jaime

O transporte coletivo de Foz do Iguaçu entrou no centro de uma discussão sobre as contas públicas do município. A Prefeitura solicitou autorização para remanejar R$ 12,392 milhões do orçamento municipal para garantir o funcionamento dos ônibus até o final de 2026.

A proposta, apresentada pelo prefeito Joaquim Silva e Luna por meio do Projeto de Lei nº 121/2026, busca reforçar o caixa do Instituto de Transportes e Trânsito de Foz do Iguaçu (Foztrans). Segundo a justificativa do Executivo, os recursos inicialmente previstos não são suficientes para cobrir todas as despesas da operação.

O pedido levanta uma questão importante para os moradores: como o município está financiando o transporte coletivo e quais outras áreas terão seus orçamentos alterados para garantir a continuidade do serviço?

Mais de R$ 12 milhões serão remanejados

O projeto prevê a transferência de R$ 7,392 milhões provenientes de recursos vinculados aos royalties de Itaipu e outros R$ 5 milhões do Tesouro municipal.

Para viabilizar a suplementação, a Prefeitura propõe retirar recursos de diferentes dotações orçamentárias, incluindo verbas destinadas a programas sociais, segurança pública, infraestrutura e investimentos.

Entre os valores listados estão R$ 700 mil previstos para benefícios eventuais da Assistência Social, R$ 500 mil relacionados ao Restaurante Popular e R$ 560 mil vinculados à Secretaria Municipal de Segurança Pública.

Também aparecem recursos destinados a campanhas de enfrentamento à violência contra a mulher e à manutenção e aos investimentos do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM).

O próprio Foztrans deverá contribuir com um remanejamento de R$ 2 milhões de uma dotação originalmente destinada à compra de equipamentos e materiais permanentes.

A proposta não significa, por si só, que esses serviços serão interrompidos ou que as obras serão canceladas. Entretanto, a transferência de verbas exige atenção para que a população saiba como ficarão os programas e investimentos que perderão parte dos recursos previstos.

Mais da metade dos passageiros tem gratuidade

De acordo com os dados apresentados pela administração municipal, aproximadamente 54% dos passageiros utilizam alguma modalidade de gratuidade no transporte coletivo.

O sistema registra uma média de 1,13 milhão de passageiros por mês e percorre cerca de 610 mil quilômetros mensalmente.

A Prefeitura argumenta que o orçamento inicial, de aproximadamente R$ 32,427 milhões, não acompanhou o aumento das despesas operacionais. Entre os fatores apontados estão reajustes contratuais, salários e benefícios dos trabalhadores, variações no preço do diesel e redução da arrecadação tarifária.

Na avaliação do Executivo, a receita obtida com as passagens não é suficiente para cobrir os custos do serviço, tornando necessária a complementação com dinheiro público.

Menos viagens ou mais dinheiro público?

Na justificativa enviada ao Legislativo, a Prefeitura afirma que cortes expressivos na quilometragem percorrida pelos ônibus poderiam resultar na redução de viagens e prejudicar os usuários.

A administração defende que a suplementação é necessária para manter a operação atual e evitar prejuízos ao atendimento da população.

O debate, porém, vai além de garantir que os ônibus continuem circulando. É necessário que os moradores tenham acesso a informações claras sobre os custos do sistema, a utilização dos recursos públicos, a qualidade do serviço e os resultados alcançados com o dinheiro investido.

Projeto ainda precisava passar pela Câmara

Na situação informada em 17 de outubro, o Projeto de Lei nº 121/2026 ainda dependia de aprovação legislativa. Uma nova etapa de tramitação estava prevista para a sessão extraordinária de segunda-feira, 19 de outubro.

A leitura de parecer favorável das comissões não representa aprovação definitiva do projeto. Por isso, o andamento da proposta e a destinação dos recursos precisam ser acompanhados.

A discussão também ganha relevância diante da necessidade de transparência na gestão do transporte coletivo. A Câmara aprovou recentemente uma proposta para estabelecer prestações de contas periódicas do Foztrans, com informações sobre passageiros, frota, fiscalização, reclamações e investimentos.

O Vlog do Jaime continuará acompanhando a tramitação do projeto e cobrando transparência sobre a aplicação do dinheiro público. Afinal, o transporte coletivo é um serviço essencial para trabalhadores, estudantes e famílias que dependem dos ônibus diariamente.

Fontes: documentos e informações divulgados pela Prefeitura de Foz do Iguaçu, pela Câmara Municipal e pela imprensa local.