Operações da Capitania Fluvial do Rio Paraná também retiraram de circulação cigarros e centenas de dispositivos móveis durante ações na região de fronteira
O cerco contra o transporte ilegal de drogas e mercadorias ganhou força nas águas do Rio Paraná durante o mês de agosto. Em uma série de operações realizadas na região de fronteira, a Marinha do Brasil, por meio da Capitania Fluvial do Rio Paraná (CFRP), apreendeu aproximadamente 800 quilos de entorpecentes.
As ações resultaram ainda na apreensão de cigarros, dispositivos móveis e um veículo. Duas pessoas foram conduzidas às autoridades competentes para os procedimentos previstos.
De acordo com a Marinha, o prejuízo estimado ao crime organizado com as apreensões chega a aproximadamente R$ 5,9 milhões.
Maconha representou a maior parte da carga
Do total apreendido, 725,3 quilos eram de maconha prensada, distribuída em tabletes.
As equipes também encontraram 50,3 quilos de capulho, variedade de cannabis que apresenta características diferentes da maconha prensada tradicional.
Somadas, as duas apreensões representam 775,6 quilos de entorpecentes, praticamente toda a quantidade divulgada pela Capitania para o período.
Além das drogas, as operações resultaram na apreensão de aproximadamente 40 caixas de cigarros e 240 dispositivos móveis, além de um veículo que estaria relacionado às ocorrências.
Rio Paraná no centro das operações
As fiscalizações foram realizadas principalmente nas águas sob responsabilidade da Capitania Fluvial do Rio Paraná.
A localização estratégica do rio, que forma parte da fronteira entre Brasil e Paraguai, faz da região um ponto de atenção permanente das forças de segurança.
Em agosto, outras operações realizadas por diferentes órgãos de segurança também identificaram movimentações suspeitas de embarcações vindas do Paraguai.
Em uma ação conjunta, Polícia Federal e Polícia Militar apreenderam 518 quilos de maconha às margens do Rio Paraná, em Foz do Iguaçu. A droga teria sido retirada de uma embarcação que realizava a travessia em direção ao território brasileiro.
Em outra ocorrência, registrada em Santa Helena, equipes da PF e da PM apreenderam 760,9 quilos de maconha após acompanharem uma embarcação que atravessava o rio e descarregava fardos na margem brasileira.
Travessias clandestinas são alvo de monitoramento
As operações mostram que o combate ao crime na região não se limita às rodovias e aos pontos oficiais de passagem.
As margens do Rio Paraná também são utilizadas por grupos criminosos para realizar travessias clandestinas e transportar drogas e mercadorias sem passar pelos controles das autoridades.
Em uma operação realizada no início de agosto, PF, PM e Força Aérea Brasileira apreenderam cerca de 349 quilos de maconha e 8 mil maços de cigarros em três ações de monitoramento em Foz do Iguaçu. Uma das ocorrências envolveu uma embarcação que atravessava o rio em direção ao Brasil.
Poucos dias depois, outra ação conjunta encontrou 71 quilos de capulho em uma embarcação que havia saído do Paraguai e seguia em direção à margem brasileira. O suspeito conseguiu fugir.
Fiscalização também mira outros tipos de contrabando
O trabalho de patrulhamento no rio não se restringe ao tráfico de drogas.
As equipes também monitoram o transporte irregular de cigarros, eletrônicos, pneus e outros produtos que entram no país sem a documentação exigida.
Em uma operação realizada em agosto, por exemplo, policiais localizaram depósitos próximos ao Rio Paraná contendo dezenas de caixas de cigarros de origem paraguaia, além de pneus e veículos. A ação também terminou com a apreensão de mais de 100 quilos de maconha.
Fronteira exige integração entre as forças
O volume de apreensões registrado em agosto reforça a importância da atuação integrada entre as instituições responsáveis pela segurança e fiscalização da fronteira.
Marinha, Polícia Federal, Polícia Militar, Receita Federal e outras forças atuam em diferentes pontos da região para impedir que cargas ilícitas atravessem o Rio Paraná e sejam distribuídas pelo território brasileiro.
A estratégia envolve patrulhamento naval, monitoramento, inteligência e fiscalização, buscando identificar tanto as embarcações utilizadas nas travessias quanto os pontos de desembarque e armazenamento.
Com quase 800 quilos de drogas retirados de circulação em apenas um mês, a operação da Marinha representa mais um golpe contra a logística utilizada pelo crime organizado na região.
E o recado das forças de segurança é claro: as águas do Rio Paraná também estão sob vigilância.

