Grupo reúne cinco partidos, representa quase metade do Legislativo e também articula força para a disputa pela presidência da Câmara
A política de Foz do Iguaçu começou a esquentar ainda mais com uma movimentação que ultrapassa a disputa presidencial. Sete dos 15 vereadores da cidade declararam apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante um encontro realizado na noite de quinta-feira (10), na residência do diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri.
O grupo reúne vereadores de cinco partidos diferentes e, somados, representa 46,6% das cadeiras da Câmara Municipal. O apoio, portanto, vai além da bancada petista e reúne parlamentares de siglas que possuem diferentes posicionamentos no cenário nacional.
Quem declarou apoio
Participaram da articulação os vereadores Adnan El Sayed (PSD), Anice Gazzaoui (PP), Balbinot (PSDB), Beni Rodrigues (PP), Professora Marcia Bachixte (MDB) e as vereadoras Valentina Hachem (PT) e Yasmin Hachem (PT).
Valentina e Yasmin também estão diretamente envolvidas na disputa eleitoral deste ano: as duas são candidatas a deputadas estaduais pelo PT.
A composição chama atenção justamente pela diversidade partidária. Dos sete parlamentares, apenas dois pertencem ao partido de Lula. Os demais estão filiados a PSD, PP, PSDB e MDB, mostrando que a articulação local conseguiu ultrapassar as fronteiras da legenda presidencial.
Enio Verri vira peça importante da articulação
O encontro aconteceu na residência de Enio Verri, que ocupa a direção-geral brasileira da Itaipu Binacional desde março de 2023 e também atua como coordenador da campanha de Lula no Paraná.
A presença de Verri dá peso político ao encontro, especialmente porque Itaipu possui forte presença econômica e institucional em Foz do Iguaçu e na região.
O movimento ocorre em plena campanha eleitoral e a poucas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Mas a eleição presidencial não é o único jogo
E aqui está um detalhe que pode ser ainda mais importante para a política local.
Segundo informações divulgadas pelo Diário de Foz, o grupo formado pelos sete vereadores também estaria articulando uma composição para disputar a presidência da Câmara Municipal, cuja eleição está prevista para dezembro.
Se essa composição permanecer unida, o grupo já parte com sete votos mas precisaria conquistar mais um vereador para alcançar a maioria necessária para comandar o Legislativo.
Ou seja: o encontro que oficialmente teve como pauta o apoio à reeleição de Lula também pode estar revelando uma nova correlação de forças dentro da Câmara de Foz.
Quase metade da Câmara
A matemática chama atenção.
7 dos 15 vereadores = 46,6% da Câmara.
Não é maioria, mas é uma bancada suficientemente grande para influenciar votações, negociações e, principalmente, a composição da próxima Mesa Diretora.
A pergunta agora é quem será o oitavo vereador a aderir ao grupo caso a articulação avance também para a disputa pelo comando da Câmara.
Política local entra definitivamente no clima eleitoral
A movimentação mostra que a eleição de 2026 já está produzindo efeitos dentro da política municipal.
Enquanto Lula busca consolidar alianças nos estados e municípios, vereadores começam a declarar publicamente seus posicionamentos e, ao mesmo tempo, precisam administrar seus próprios interesses políticos para as próximas disputas.
Em Foz, uma coisa parece clara: a eleição presidencial e a sucessão na Câmara Municipal começam a caminhar pelo mesmo tabuleiro.
E, na política, quando sete vereadores se sentam à mesma mesa, em plena campanha eleitoral, a pergunta não é apenas em quem eles vão votar.
É também:
o que mais está sendo combinado?

