Saúde de Foz enfrenta pressão crescente e prefeitura busca reforço financeiro para atender demanda da fronteira

Saúde

Dados da Secretaria Municipal da Saúde apontam aumento de 26,2% nas fichas de atendimento de estrangeiros nas UPAs entre maio e agosto de 2026. Município discute financiamento e organização da assistência com órgãos federais.

A saúde pública de Foz do Iguaçu voltou ao centro do debate diante de um desafio que acompanha a cidade há anos: atender uma população que vai além dos limites territoriais do município. A localização na Tríplice Fronteira, o turismo e a circulação diária de pessoas entre Brasil, Paraguai e Argentina ampliam a complexidade do atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Diante desse cenário, a Secretaria Municipal da Saúde intensificou o diálogo com o Ministério da Saúde, o Ministério das Relações Exteriores e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Entre os assuntos discutidos estão o fluxo de pacientes entre os países, a qualidade dos cadastros e a necessidade de recursos compatíveis com a demanda enfrentada pela rede municipal.

Números mostram aumento nos atendimentos

Dados apresentados pela Secretaria Municipal da Saúde indicam que, entre maio e agosto de 2026, foram registradas 8.769 fichas de atendimento de estrangeiros nas duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Foz do Iguaçu.

No mesmo período, as unidades contabilizaram 84.718 fichas no total. Isso significa que os registros de estrangeiros representaram pouco mais de 10% dos atendimentos contabilizados.

Na comparação com o mesmo quadrimestre de 2025, quando foram registradas 6.949 fichas de estrangeiros, houve crescimento de 26,2%.

A UPA Walter Cavalcanti passou de 3.042 para 4.083 registros, enquanto a UPA João Samek foi de 3.907 para 4.686.

É importante destacar que os números correspondem a fichas de atendimento, e não necessariamente a pessoas diferentes. Um mesmo paciente pode aparecer mais de uma vez nas estatísticas.

Prefeitura busca financiamento compatível com a realidade da fronteira

A discussão com os órgãos federais envolve a criação de critérios mais claros para dimensionar a demanda e melhorar o registro dos usuários atendidos pela rede municipal.

A administração municipal afirma que o objetivo não é impedir o atendimento de estrangeiros, mas compreender melhor a procura pelos serviços e buscar mecanismos de financiamento adequados à realidade de Foz do Iguaçu.

A cidade também recebe pacientes brasileiros que residem no Paraguai, turistas e pessoas que atravessam diariamente a fronteira para trabalhar. Por serem brasileiros, esses usuários não aparecem necessariamente nas estatísticas destinadas a estrangeiros, o que torna mais complexo calcular o impacto total da circulação transfronteiriça.

Câmara também cobra informações sobre os custos

O tema chegou ao Legislativo municipal. Um requerimento protocolado na Câmara solicita informações detalhadas sobre os atendimentos realizados a pessoas que não residem em Foz do Iguaçu.

Entre os dados solicitados estão os custos dos procedimentos, a origem dos recursos utilizados, os critérios de cadastramento e a existência de mecanismos de compensação financeira entre os sistemas de saúde dos países vizinhos.

A iniciativa busca ampliar a transparência sobre o uso dos recursos públicos e permitir uma avaliação mais precisa da demanda atendida pelo município.

A pressão sobre a rede vai além das UPAs

O desafio da saúde em Foz não se limita aos atendimentos de urgência. O Hospital Municipal Padre Germano Lauck também recebe pacientes de outros municípios da região e enfrenta demandas relacionadas à regulação de leitos e à disponibilidade de vagas.

Em setembro, durante uma prestação de contas na Câmara, vereadores questionaram o funcionamento das UPAs, a redução de consultas em comparação com o ano anterior e a organização dos encaminhamentos hospitalares.

Segundo os dados apresentados pela Secretaria Municipal da Saúde, foram realizadas 32.588 consultas no período de maio a agosto de 2026, uma redução de 4,67% em relação ao mesmo período de 2025. A pasta atribuiu a queda ao encerramento de contratos médicos.

Os dados reforçam a importância de acompanhar não apenas o volume de atendimentos, mas também a disponibilidade de profissionais, o acesso a consultas e a capacidade de encaminhar pacientes para serviços especializados.

Quem vai pagar a conta da saúde na Tríplice Fronteira?

O debate evidencia uma questão central para o município: como garantir atendimento adequado à população sem comprometer a capacidade financeira e operacional da rede pública?

A solução depende de informações confiáveis, planejamento e diálogo entre os governos municipal, estadual e federal, além da cooperação com os países vizinhos.

Para os moradores de Foz do Iguaçu, o resultado precisa aparecer na prática: acesso a consultas, equipes suficientes, atendimento organizado e leitos disponíveis quando necessários.

O Vlog do Jaime seguirá acompanhando as discussões e as medidas adotadas pelas autoridades para enfrentar os desafios da saúde pública na região.

Fonte: Secretaria Municipal da Saúde de Foz do Iguaçu, Câmara Municipal