A narrativa de que o Pix estaria prejudicando as empresas americanas de pagamentos sofreu um duro revés. A Visa afirmou que, ao contrário do que sustenta o governo do presidente Donald Trump, seu volume de negócios no Brasil dobrou desde a criação do sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central.
Segundo a empresa, o Pix não representa uma ameaça ao seu modelo de negócios. Pelo contrário, o sistema ampliou a inclusão financeira, levou milhões de brasileiros à bancarização e aumentou a emissão de cartões de débito e crédito, beneficiando também bandeiras como a Visa. Diretores da companhia ressaltaram que nunca pediram qualquer intervenção da Casa Branca contra o Pix e tampouco reclamaram do modelo brasileiro.
Mesmo com a investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que questiona o duplo papel do Banco Central como regulador e operador do Pix, o presidente da Visa no Brasil, Rodrigo Cury, classificou o sistema como um “fenômeno extremamente bem-sucedido” e afirmou que a empresa o enxerga como uma oportunidade de negócios. A Visa, inclusive, já desenvolveu serviços integrados ao ecossistema do Pix.
A declaração da Visa enfraquece um dos principais argumentos usados pela administração Trump para justificar críticas ao sistema brasileiro de pagamentos, indicando que, na prática, o crescimento do Pix também impulsionou negócios de empresas americanas que atuam no mercado financeiro brasileiro.

